terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma crise de lágrimas

Eu que estou forçada a viver num sistema como esse
Onde minhas escolhas e vontades
Pouco importa
Perto daquilo que conhecemos como poder.
Vejo crianças com fome
Não posso abraçar todas elas
Vejo senhores numa fila de milhares na porta do hospital
Não tenho onde cura-las
Vejo mães sofrendo a perda de um filho
Que se entregou as drogas que o mundo empurra.

Minhas lágrimas não param de cair
Viver torna-se uma tortura
Quando sobreviver é quase impossível.
As necessidades coletivas são colocadas em xeque
Quando temos que obedecer a repressão do Estado
Para manter a permanência
Dos que nos humilham no poder.

Não aguento mais
Passar nas ruas
E perceber que alguns tiveram que passar a noite no frio
E outros tiveram que viver e morrer nessa mesma estrada sem luz
Meu coração fica apertado
Minha cabeça entra em confusão
Mesmo sabendo que a solução pode chegar
Quando o trabalhador for protagonista de sua história
Mas ainda tendo que enxergar muito sangue ser espalhado
Por esse imenso mundo de contradições.

Crianças na miséria da África,
Crianças na elite europeia
Qual diferença entre crianças?
Elas tão inocentes
Que mal sabem suas palavras
Mas são colocadas em jogo
Como uma peça na roleta russa
Que gira,
E quem tiver a sorte
Cai numa família da elite mundial
Mas as que tiverem azar,
Meu irmão, meu irmão
Coitadas delas
Se esse que nos explora
Continuar reinando.

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